“Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros.”

Léon Tolstoi

domingo, 26 de outubro de 2014

Pedagogia da negação

Alguns professores privilegiam o caminho das aprendizagens mecânicas quando atuam junto aos alunos que apresentam deficiência intelectual. Ao invés de apelar para situações de aprendizagem que tenham raízes nas experiências vividas pelo aluno, atividades essas capazes de mobilizar seu raciocínio, propõem atividades baseadas na repetição e na memória. Frequentemente, essas atividades são desprovidas de sentido para os alunos. Esses professores privilegiam o caminho das aprendizagens mecânicas sob o pretexto de que os alunos os quais apresentam deficiência intelectual manifestam numerosas dificuldades nos processos de aprendizagem que eles agem pouco no mundo no qual evoluem e enfim, sob o pretexto de que os alunos antecipam o fracasso e não se apóiam sobre seus conhecimentos quando estão em situação de aprendizagem ou de resolução de problemas. Agindo desta maneira, tais professores se comportam como se não reconhecessem no aluno que apresenta deficiência intelectual um sujeito capaz de crescimento e de afirmação. Seu acompanhamento pedagógico parece respaldado por uma concepção de aluno que se apóia sobre a idéia de insuficiência ou de lacuna, mesmo de falta no que diz respeito ao raciocínio. Os professores não reconhecem nesse aluno capacidades cognitivas as quais convém mobilizar para favorecer a melhor interação com o meio onde ele vive. Consequentemente, eles negam um aspecto absolutamente fundamental do desenvolvimento humano, a saber, o intelectual. Em suma, eles se fecham em uma pedagogia da negação. Uma pedagogia que não reconhece o potencial dos alunos, sobretudo daqueles que apresentam deficiência intelectual e que, consequentemente, causa prejuízos para as suas aprendizagens e autodeterminação. A Pedagogia da negação encontra sua fonte na superproteção, que é um parente próximo da rejeição. A superproteção de um professor em relação a um aluno que apresenta deficiência intelectual pode se manifestar de várias maneiras. Por exemplo, quando o professor propõe frequentemente atividades que não provocam dificuldades verdadeiras para o aluno, com medo que ele perca a motivação para aprender ou com receio que ele não seja capaz de realizar a atividade. Quando aprova o trabalho do aluno sem que o aluno tenha demonstrado um esforço para a realização dele. Quando resolve o problema no lugar do aluno, logo que ele apresenta dificuldades. Quando o professor não desafia o aluno, provocando dúvida, contrapondo ideias. Quando o professor coloca na mochila do aluno o material necessário para os deveres e para as lições de casa ou quando resolve a tarefa para o aluno, ele está atuando sob o princípio da pedagogia da negação. É importante considerar que uma das grandes responsabilidades do professor de sala de aula, bem como do professor do AEE, consiste no desenvolvimento intelectual e da autonomia do seu aluno. O desenvolvimento intelectual do aluno com deficiência deve ser objeto de preocupação constante do professor. A inteligência deve ser estimulada e educada para que ele possa evoluir. E o aluno que apresenta deficiência intelectual não escapa à regra. Mesmo o aluno que apresenta uma necessidade de apoio importante ou intenso, pode tirar proveito de intervenções educativas destinadas a favorecer ou estimular o desenvolvimento de suas estruturas intelectuais. Os exemplos, neste sentido, são numerosos na literatura científica. Diante dessa realidade, é inadmissível que a Pedagogia da negação continue a fazer adeptos entre os professores que têm a responsabilidade pela educação dos alunos. Um exemplo de atividades inadequadas é quando o professor impõe aos alunos longos exercícios de multiplicação com ajuda de tabuadas sem que tenham construído o sentido da multiplicação. Os alunos podem dar respostas corretas apoiados apenas na tabuada, de forma mecânica, copiando resultados, sem compreender o sentido da operação. Nem todos os alunos que apresentam deficiência intelectual chegam a assimilar as operações de multiplicação e de divisão e a compreender o sentido destas. Este professor seria mais bem sucedido em sua ação pedagógica, se tivesse como objetivo o desenvolvimento lógico-matemático de seus alunos, se propusesse atividades de aprendizagem próximas aos interesses deles com base nas experiências vivenciadas por eles. Deste modo, o professor, provavelmente, teria contribuído mais para o desenvolvimento dos alunos e permitido a eles aprendizagens mais significativas. A qualidade da vida social e profissional das pessoas que apresentam deficiência intelectual repousa em boa parte sobre bases que são o desenvolvimento intelectual e as aprendizagens significativas que teve na escola e fora dela. Quando o professor percebe a capacidade de o aluno aprender, ele empreende ações que possibilitam essa aprendizagem. Fonte: http://arivieiracet.blogspot.com.br

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Educação Proibida

A educação inclusiva avança no Brasil: cursos, livros e palestras oferecem apoios na formação de professores
Dados recentes da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), mostram que no mundo, as pessoas com deficiência estão entre os grupos de maior risco de exclusão escolar. Segundo o último Censo Populacional (IBGE, 2010), o Brasil têm 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa 23,9% da população. A maioria das crianças e adolescentes com deficiência já estuda em escolas regulares. Em 2013, 77% (648 mil) das matrículas de alunos com deficiência estavam em classes comuns. É um número expressivo, mas que ainda gera muitas expectativas e desafios quando o assunto é Educação Inclusiva. “Sou bastante otimista com relação à ela. Fico muito bravo quando alguém diz que nada mudou com relação às pessoas com deficiência. Mudou sim, e para melhor”, diz professor e psicólogo educacional Emílio Figueira (44). “A Educação Inclusiva é uma delas. Claro, muita coisa precisa ser melhorada, aperfeiçoada. Temos relatos de casos que deram errados. Mas também temos muitos relatos de sucesso. Tudo é uma questão de processo. E processos precisam respeitar etapas. Assim como as questões que envolvem pessoas com deficiência são culturais, precisam de tempo para mudanças de mentalidades!”, conclui o educador. Considerado uma referência em Educação Inclusiva no país, Figueira é autor de livros como “O que é Educação Inclusiva”, “Conversando sobre educação inclusiva com a família”, “A deficiência dialogando com a arte”, “Psicologia e pessoas com deficiência”, “Caminhando em silêncio: uma introdução à trajetória das pessoas com deficiência na história do Brasil”, dentre outros. Para Figueira, sendo “um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular, a Educação Inclusiva é uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o crescimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos”. Sua história é um misto de experiências próprias e atividades profissionais em prol de pessoas com deficiência. Figueira nasceu com uma deficiência motora, paralisia cerebral, que compromete a fala e movimentos. Muito cedo nos anos 70 foi para a AACD numa época onde a reabilitação ainda estava no início no Brasil. E isto fez toda a diferença em sua vida. Foram nove anos de muitas terapias e estímulos que renderam a sua autonomia. Graças ao tratamento e motivação que recebeu na AACD, mesmo tendo muitas coisas contra como uma sociedade ainda segregadora, optou por estudar. Foi jornalista em vários meios de comunicação nos anos 80 e 90. Formou-se em psicologia e em teologia, fazendo em seguida cinco pós-graduações e um doutorado em psicanálise. Hoje está concluindo doutorado em teologia, exerce várias atividades, tem 49 livros e 88 artigos científicos publicados no Brasil e exterior, textos montados no teatro. Em uma entrevista exclusiva, o professor observou: “A Educação Inclusiva atenta a diversidade inerente à espécie humana, busca perceber e atender as necessidades educativas especiais de todos os sujeitos-alunos, em salas de aulas comuns, em um sistema regular de ensino, de forma a promover a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de todos. Uma prática pedagógica coletiva, multifacetada, dinâmica e flexível requer mudanças significativas na estrutura e no funcionamento das escolas, na formação humana dos professores e nas relações família-escola, resultando em uma força transformadora, apontando para uma sociedade inclusiva”. Curso e Palestras Especializado e apaixonado pela modalidade da educação a distancia, Emilio Figueira está comemorando cinco anos ministrando cursos online de Educação Inclusiva. Nesse período teve como alunos em fase de graduação ou especialização, mestrandos, doutorandos, professores, diretores, pedagogos, psicólogos, psicopedagogos e pessoas em geral. O educador aborda em suas aulas as bases históricas, as legislações e conceitos básicos da Educação Inclusiva, as características de cada tipo de aluno com necessidades educacionais especiais e as dicas pedagógicas para cada um , elaborar as estratégias pedagogias e executá-las na elaboração e andamento de uma sala de aula inclusiva e serem agentes multiplicador do conceito e filosofia da Educação Inclusiva. Seu principal curso é de 180 horas e totalmente online pela UNICEAD, com certificado de aperfeiçoamento profissional aceito por várias escolas, concursos públicos e prefeituras como pontos e/ou plano de carreira de funcionários e educadores. Superando suas próprias limitações, nos últimos quatro anos, Figueira tem viajado sempre sozinho por vários Estados brasileiros, cidades, ministrando palestras sobre “As pessoas com deficiência na era da inclusão escolar e social” em escolas, universidades, clubes, entidades, instituições, ao mais variado público. São mais de 38 palestras ministradas onde de maneira multimídia o autor fala um pouco da história das pessoas com deficiência no Brasil, os três momentos pedagógicos voltados aos educandos com necessidades educacionais especiais, a ansiedade no processo de Educação Inclusiva, o desenvolvimento global do aluno e os efeitos positivos das deficiências e pontos para uma boa Educação Inclusiva. Na palestra “Pessoas com Deficiência e Suas Interações no Mercado de Trabalho”, com uma abordagem um pouco diferente do convencional, Emílio Figueira destaca que uma inclusão no mercado de trabalho dependerá também de uma boa convivência no ambiente profissional. Se o empregador e funcionários com ou sem deficiência se atentar para esse detalhe, mais que as metas produtivas, as interações sociais serão experiências enriquecedoras para todos os envolvidos no ambiente. Surgirão as aprendizagens mútuas entre todos os envolvidos no processo. Fonte: www.emiliofigueira.com.br

domingo, 2 de março de 2014

Deficientes visuais: como fazer a inclusão no ensino público?

Feche os olhos. Como seria ir à escola assim, de olhos fechados? Esse é o desafio de cerca de 70 mil alunos no Brasil, segundo dados computados pelo Inep/MEC (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais/Ministério da Educação). Mas, por incrível que pareça para quem enxerga bem, as crianças cegas ou com diferentes graus de deficiência visual costumam se dar bem na sala de aula – e podem sair do Ensino Médio prontas para o exercício de uma profissão. “O primeiro impacto de ter um aluno cego em classe pode ser difícil, pois exige uma adaptação por parte dos professores e colegas. Só que em 90% dos casos, a criança acaba frequentando as aulas tranquilamente, sem a necessidade de um assessor para ajudá-la”, pondera Shirley Monteiro Maciel, pedagoga especializada em deficiência visual que trabalha nas cidades de Mauá e Santo André, na Grande São Paulo. Com a ajuda da profissional, traçamos algumas diretrizes básicas para que a inclusão de alunos com deficiência visual seja melhor compreendida e facilitada. Entre as prioridades, está a compreensão do que é ser portador de deficiência visual, a necessidade de um material específico e o acompanhamento de um profissional em sala de aula (sempre que solicitado), a importância do uso das salas de recursos e o aprendizado da convivência entre os colegas com e sem deficiência. Confira no texto ao lado. Inclusão em escola regular é indicada Existem diversos graus de deficiência visual. Considera-se que alunos cegos ou com baixa visão sejam beneficiados pela inclusão na escola regular desde que esta se adapte às suas necessidades. A cegueira completa, em geral, é de origem congênita, enquanto as outras deficiências podem ter causas diversas. É bom para os cegos aprender a ler e a escrever em braile. Escolas precisam ser adaptadas para os alunos O aluno cego, ou com baixa visão, precisa de muitos de materiais especiais que facilitem o aprendizado, como livros e exercícios em braile e a máquina de braile para que ele possa escrever – ou em fonte Arial 24 e cadernos com pautas largas, caso a criança apresente baixa visão. As provas também têm de ser pensadas e adaptadas para esse estilo. Profissional em sala de aula é facultativo Dependendo do caso, o aluno pode ou não precisar de um acompanhante em sala de aula, que leia para ele os enunciados das tarefas e preste outros auxílios a fim de ajudar em seu aprendizado. “A criança com deficiência visual aprende no mesmo ritmo dos colegas, mas é preciso material que a ajude”, ressalta a pedagoga Shirley Monteiro Maciel. Laboratório para resolver dúvidas e estimular Espera-se que o aluno com deficiência visual passe cerca de 10 horas semanais na sala de recursos de sua escola. Isso nada mais é do que um espaço com materiais especiais e profissionais especializados. Nesse local, ele poderá resolver dúvidas e receber estímulos específicos e essas atividades devem ser feitas no contraturno do horário das aulas comuns. Trabalho em equipe para inclusão Ter um amigo cego ou com dificuldades para enxergar obriga os colegas de classe a ficarem mais quietos, afinal eles sabem que escutar é essencial para o amigo durante a aula. “Ao contrário do que se possa imaginar, a criança cega se adapta muito bem à escola e às vezes é até mais levada do que as outras”, brinca a pedagoga Shirley. fonte: http://www.metrojornal.com.br/nacional/plus/deficientes-visuais-como-fazer-a-inclusao-no-ensino-publico-23383 acesso em 02/03/2014

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Educadores aprovam Moção pela Meta 4 do PNE que garante inclusão escolar

A Faculdade de Educação da Unicamp, com o apoio da Mais Diferenças, promoveu no dia 28 de agosto o Fórum Desafios do Magistério “A Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva”. O evento foi organizado pela Profa. Dra. Maria Teresa Eglér Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença (Leped/FE/Unicamp) e coordenadora do Fórum Nacional de Educação Inclusiva. O Fórum Desafios do Magistério contou com a presença de mais de mil educadores, de todos os cantos do Brasil, que lotaram três auditórios do Centro de Convenções e um auditório da Biblioteca Centra da Universidade. Foram debatidos temas como direito à educação, Meta 4 do Plano Nacional de Educação Inclusiva, gestão pública para a educação inclusiva, práticas pedagógicas para todos e interlocução entre escola comum e serviço especializado. Ao fim do dia, foi aprovada por aclamação uma moção de apoio à Meta com seu texto original, que foi garantida pelo parecer do relator do Plano Nacional de Educação do Senado, José Pimentel, em seu parecer. +++ Moção de apoio à universalização do acesso e permanência na educação para crianças e jovens de 4 a 17 anos por meio da manutenção do texto original da Meta 4 do Plano Nacional de Educação – PNE Considerando: - A Constituição Federativa do Brasil; - A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; - O Plano Viver sem Limites (Decreto 7.61/11); - As deliberações da Conferência Nacional de Educação (Conae 2010); - As diretrizes da Educação Básica (Resolução N. 04 de 2010); - O Estatuto da Criança e do Adolescente. Nós, participantes do Fórum Desafios do Magistério: a Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, ocorrido no dia 28 de agosto de 2013, no Centro de Convenções da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), manifestamos por meio desta moção o total apoio à redação dada à Meta 4 do Plano Nacional de Educação – PNE pelo relator Senador José Pimentel em seu parecer na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 103, de 2012 (Projeto de Lei – PL nº 8.035, de 2010, na origem). O texto fora apresentado ao Congresso Nacional pelo Ministério da Educação em 2010 e está de acordo com as deliberações da Conferência Nacional de Educação (Conae 2010) – que teve ampla participação da sociedade civil em todos os municípios e estados brasileiros. Eis o texto: Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. Considerações: 1. A Constituição Federal, o artigo 24 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (que tem status constitucional), o Estatuto da Criança e do Adolescente e todo o marco legal brasileiro preveem sistema educacional inclusivo, amplo e irrestrito, e não sistema de ensino paralelo. 2. Um país republicano garante a todas as crianças e adolescentes o direito à convivência e à aprendizagem nas escolas comuns, sem restrições. 3. É preciso esclarecer: Educação Especial é modalidade que disponibiliza as medidas de apoio à inclusão escolar por meio da oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE). 4. O AEE é garantido constitucionalmente e tem financiamento assegurando por meio do Fundeb, que garante o cômputo da dupla matrícula: uma no ensino comum e uma no AEE. 5. O AEE, complementar e/ou suplementar, pode ser ofertado em salas de recursos multifuncionais na escola comum ou em instituições especializadas conveniadas com o poder público. 6. A inclusão escolar é um direito que beneficia pessoas com e sem deficiência e que é garantido por meio da convivência e de práticas escolares inclusivas. 7. A inclusão escolar fortalece a autonomia do estudante, torna-o um cidadão participativo e possibilita sua inserção no mundo do trabalho. 8. Pessoas com deficiência são parte inerente da sociedade e a escola inclusiva desperta para essa realidade. É preciso agir imediatamente para impedir que novas gerações continuem discriminando pessoas com deficiência. 9. É direito do aluno estudar na escola de sua comunidade. A escola comum é a garantia desse direito e beneficia toda a família. 10. A escola inclusiva tem como princípio a acessibilidade e, ao utilizar tecnologia assistiva e práticas pedagógicas inovadoras, promove a qualidade do ensino e da aprendizagem. 11. A escola inclusiva parte do pressuposto de que todas as pessoas aprendem e legitima as diferentes maneiras de ensinar e de aprender. 12. A segregação viola os direitos humanos. Uma forma perversa dessa violação é a classe especial. É o ápice do apartheid: a própria escola institui barreiras e promove a prática da discriminação. 13. Enquanto houver qualquer espaço de segregação, é para lá que os estudantes correm o risco de serem encaminhados. 14. Os investimentos realizados na escola pública para a acessibilidade, formação de professores, materiais, entre outros, possibilitam a garantia de acesso dos estudantes público-alvo da educação especial na educação. Dinheiro público deve estar na escola pública, porque este é o espaço legítimo de atender a todas as necessidades pedagógicas dos estudantes. 15. Estamos falando de um Plano Nacional de Educação, ou seja, de uma lei que define onde o país quer chegar nos próximos dez anos. Portanto, suas metas devem visar avanços para a garantia do direito. Segregação não é meta, é retrocesso. “A democracia não é um jogo de palavras. A democracia são os fatos, a prática diária e concreta do respeito à nossa Constituição e a defesa dos interesses do povo, e não a subserviência, o calar ante as manobras e às violências dos poderosos.” (Maurício Grabois, 1946) Fonte: http://arivieiracet.blogspot.com.br

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crianças desafiam o perigo trabalhando na produção de estalinhos e fogos de artifício

Em Santo Antônio de Jesus, o bairro do Mutum é conhecido por ser um polo de trabalho infantil em uma área muito perigosa: a fabricação de fogos de artifício.Foi só a câmera do Globo Repórter se aproximar e as meninas que estavam trabalhando na produção de estalinhos, na porta de casa, saíram correndo. É cada vez mais difícil flagrar as crianças trabalhando com explosivos em um município da Bahia - uma atividade que ainda acontece escondida, dentro de dezenas de lares.Em Santo Antônio de Jesus, o bairro do Mutum é conhecido por ser um polo de trabalho infantil em uma área muito perigosa: a fabricação de fogos de artifício. Há 15 anos a cidade foi o cenário de uma tragédia quando uma fábrica clandestina explodiu, matando 64 pessoas. Maria Passos dos Santos, dona de casa: Teve aquele pipoco, todo mundo desesperado e muita gente perdeu a vida. Muitos eu vi nascer e aí eles foram embora nessa tragédia. Mas, nem as mortes, nem o perigo afastaram as crianças da atividade de alto risco. Rose, de 38 anos e com 2 filhos, é uma sobrevivente. Por sorte ou destino, escapou da grande explosão. “Eu escapei porque no momento eu não estava lá. Faltei nesse dia porque eu estava com falta de ar”, conta Rosenita Santos, ex-empregada da fábrica.. Só não conseguiu evitar outra explosão que provocou queimaduras nos braços, nas pernas e na barriga. “Fiquei 30 dias internada, mas passou. Tenho que trabalhar de novo e já trabalhei com fogos de novo”, completa Rosenita Fabricar os estalinhos, ou traques, é uma das poucas opções de trabalho na comunidade. Sem estudo, Rose segue no ofício que começou quando tinha apenas oito anos. E ela não está sozinha. Globo Repórter: Tem muita gente que ainda trabalha com isso aqui? Rose: Todo mundo. O bairro todo. Globo Repórter: o que esta vida te deu? Rose: quem sabe experiência, né? Uma adolescente de 17 anos leva a equipe do programa até a casa onde mora e passa boa parte do dia fazendo os estalinhos. Ela não tem pai. A mãe é faxineira e também trabalha na produção de fogos. As meninas trabalhadoras recebem a matéria-prima em casa que é entregue por um fornecedor. A mistura explosiva, a massa vem em um saquinho plástico. Tem cerca de três quilos e o material é suficiente pra 10 mil estalinhos. Além da massa elas recebem também um pacotinho com os papéis para embrulhar os estalinhos. Eles já vêm no tamanho certinho. É só enrolar e depois entregar a encomenda. Em um saco estão 10 mil estalinhos. É um trabalho repetitivo. Ela chega a enrolar 10 mil traques por semana. Recebe R$ 13 pela produção. Qualquer atrito pode provocar pequenas explosões. A massa usada pra encher os embrulhos tem que estar úmida. Globo Repórter: não pode deixar a massa secar totalmente? Menina: É, senão explode. Um dia antes da chegada da equipe de reportagem, uma operação conjunta da Polícia Rodoviária Federal e do Ministério do Trabalho apreendeu cerca de uma tonelada de materiais usados na produção de fogos. Não havia nenhum cuidado com a segurança. Nem a mais dramática lição serviu para acabar com o trabalho perigoso em Santo Antônio de Jesus. “Não tem emprego na cidade, nunca teve. Da explosão para cá disseram que ia gerar fábrica de muitas coisas e até hoje não gerou nada, continua o mesmo. Se não tem, vamos trabalhar com traque até onde Deus quiser”, afirma Rose.