Segundo Renata, o foco do trabalho é entender as brincadeiras e manifestações culturais sempre sob o olhar das crianças. “O bacana é ver como as crianças fazem as releituras daquilo que acontece na brincadeira tradicional, que não necessariamente vêm em forma de amarelinha, de pipa, de pular elástico, mas que pode vir também de outras coisas”, afirma.
“Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem.”
De acordo com ela, a maior preocupação do projeto é traduzir o brincar para o universo da educação. “O que percebo que é as escolas, de uma forma geral, não aproveitam do que já é das crianças. Muitas vezes, elas não se atem a forma como as crianças apreendem as coisas, como lidam com os seus fazeres e brincadeiras. Isso ainda é desconhecido no universo da educação”, diz. “Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem e como as crianças podem criar essa linguagem para si como forma de aprendizado também.”
O primeiro contato nas regiões acontecem por meio das escolas, onde eles apresentam aos educadores e às crianças o intuito do projeto. Nesses encontros, são expostos vídeos de trabalhos anteriores e então oficializado o convite para o intercâmbio de saberes, que acontecem de acordo com o roteiro proposto pelas crianças: na escola, rua, praças e outros espaços.
Ao final de cada itinerário, Renata e Reeks voltam às escolas e às secretarias para mostrar, por meio de fotos e filmagens, o recorte que fizeram durante a estadia no local. A ideia é valorizar a cultura do lugar, muitas vezes, desapercebida pelos moradores. “Às vezes, as escolas não veem aquilo que está fora do mundo delas. Nossa mensagem é que o aprender não acontece apenas dentro das unidades de ensino”, revela Renata.
Cursos e oficinas
Como forma de contrapartida à estadia em cada município, Renata organiza ainda cursos, oficinas e palestras para os moradores locais. No Espírito Santo, organizou uma exposição de brinquedos. Já no Recôncavo Baiano, Renata ministrou palestras sobre a cultura do brincar para todas os diretoras e coordenadores do município de Santo Amaro e também uma palestra e oficina na secretaria de ação social com 20 coordenadoras do PET (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).
Outra parceria acontece também com seis escolas privadas de São Paulo, Bragança Paulista, Cotia e Florianópolis. A educadora, a partir do trabalho que vem desenvolvendo, se reúne, mensalmente, com os colégios para trocar experiências e identificar novos olhares e propostas quanto à cultura do brincar. “Quando a gente fala de brincadeiras, não estamos falando do novo, mas de algo que já é do homem. O novo é como a gente olha para isso, como a enxerga relação da criança com o brincar”, afirma.
É possível acompanhar a jornada do casal através do site do projeto, com atualizações quase em tempo real com fotos, textos, vídeos e áudios.
Assista ao vídeo de estreia do projeto:
“Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros.”
Léon Tolstoi
domingo, 9 de junho de 2013
Projeto mapeia brincadeiras infantis de todo Brasil
Na era dos videogames com sensores de movimento, as crianças ainda brincam de bolinha de gude, soltam pipa com rabiola feita com papel de bala, pulam amarelinha e elástico. Em muitas regiões do país, as brincadeiras tradicionais continuam bastante vivas. E para mapeá-las e difundi-las, uma dupla está percorrendo os cinco cantos do Brasil para dar vida ao projeto Territórios do Brincar, iniciativa que pretende escutar, trocar saberes e registrar a cultura infantil brasileira.
A educadora Renata Meirelles e o documentarista David Reeks são os responsáveis pelo projeto que iniciou em abril deste ano. Ao todo, a dupla vai percorrer sete regiões diferentes até dezembro de 2013. Após a viagem, a jornada vai se tornar um longa-metragem, um livro e uma série para a TV, além de exposições, cursos e palestras. A iniciativa é apoiada pelo Instituto Alana, ONG que desenvolve projetos voltados à infância.
O primeiro destino do roteiro foram as comunidades pomeranas (que formam uma etnia descendente de tribos eslavas e germânica), no Espírito Santo, onde acompanharam a forte tradição dos casamentos. Desde pequenas, uma das brincadeiras favoritas das crianças é simular as cerimônias. Eles organizam toda a festa, desde a compra e preparo dos alimentos até as danças e rituais.
Segundo Renata, o foco do trabalho é entender as brincadeiras e manifestações culturais sempre sob o olhar das crianças. “O bacana é ver como as crianças fazem as releituras daquilo que acontece na brincadeira tradicional, que não necessariamente vêm em forma de amarelinha, de pipa, de pular elástico, mas que pode vir também de outras coisas”, afirma.
“Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem.”
De acordo com ela, a maior preocupação do projeto é traduzir o brincar para o universo da educação. “O que percebo que é as escolas, de uma forma geral, não aproveitam do que já é das crianças. Muitas vezes, elas não se atem a forma como as crianças apreendem as coisas, como lidam com os seus fazeres e brincadeiras. Isso ainda é desconhecido no universo da educação”, diz. “Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem e como as crianças podem criar essa linguagem para si como forma de aprendizado também.”
O primeiro contato nas regiões acontecem por meio das escolas, onde eles apresentam aos educadores e às crianças o intuito do projeto. Nesses encontros, são expostos vídeos de trabalhos anteriores e então oficializado o convite para o intercâmbio de saberes, que acontecem de acordo com o roteiro proposto pelas crianças: na escola, rua, praças e outros espaços.
Ao final de cada itinerário, Renata e Reeks voltam às escolas e às secretarias para mostrar, por meio de fotos e filmagens, o recorte que fizeram durante a estadia no local. A ideia é valorizar a cultura do lugar, muitas vezes, desapercebida pelos moradores. “Às vezes, as escolas não veem aquilo que está fora do mundo delas. Nossa mensagem é que o aprender não acontece apenas dentro das unidades de ensino”, revela Renata.
Cursos e oficinas
Como forma de contrapartida à estadia em cada município, Renata organiza ainda cursos, oficinas e palestras para os moradores locais. No Espírito Santo, organizou uma exposição de brinquedos. Já no Recôncavo Baiano, Renata ministrou palestras sobre a cultura do brincar para todas os diretoras e coordenadores do município de Santo Amaro e também uma palestra e oficina na secretaria de ação social com 20 coordenadoras do PET (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).
Outra parceria acontece também com seis escolas privadas de São Paulo, Bragança Paulista, Cotia e Florianópolis. A educadora, a partir do trabalho que vem desenvolvendo, se reúne, mensalmente, com os colégios para trocar experiências e identificar novos olhares e propostas quanto à cultura do brincar. “Quando a gente fala de brincadeiras, não estamos falando do novo, mas de algo que já é do homem. O novo é como a gente olha para isso, como a enxerga relação da criança com o brincar”, afirma.
É possível acompanhar a jornada do casal através do site do projeto, com atualizações quase em tempo real com fotos, textos, vídeos e áudios.
Assista ao vídeo de estreia do projeto:
Segundo Renata, o foco do trabalho é entender as brincadeiras e manifestações culturais sempre sob o olhar das crianças. “O bacana é ver como as crianças fazem as releituras daquilo que acontece na brincadeira tradicional, que não necessariamente vêm em forma de amarelinha, de pipa, de pular elástico, mas que pode vir também de outras coisas”, afirma.
“Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem.”
De acordo com ela, a maior preocupação do projeto é traduzir o brincar para o universo da educação. “O que percebo que é as escolas, de uma forma geral, não aproveitam do que já é das crianças. Muitas vezes, elas não se atem a forma como as crianças apreendem as coisas, como lidam com os seus fazeres e brincadeiras. Isso ainda é desconhecido no universo da educação”, diz. “Os professores precisam traduzir as relações que estão por trás das brincadeiras e entender o potencial humano que o brincar tem e como as crianças podem criar essa linguagem para si como forma de aprendizado também.”
O primeiro contato nas regiões acontecem por meio das escolas, onde eles apresentam aos educadores e às crianças o intuito do projeto. Nesses encontros, são expostos vídeos de trabalhos anteriores e então oficializado o convite para o intercâmbio de saberes, que acontecem de acordo com o roteiro proposto pelas crianças: na escola, rua, praças e outros espaços.
Ao final de cada itinerário, Renata e Reeks voltam às escolas e às secretarias para mostrar, por meio de fotos e filmagens, o recorte que fizeram durante a estadia no local. A ideia é valorizar a cultura do lugar, muitas vezes, desapercebida pelos moradores. “Às vezes, as escolas não veem aquilo que está fora do mundo delas. Nossa mensagem é que o aprender não acontece apenas dentro das unidades de ensino”, revela Renata.
Cursos e oficinas
Como forma de contrapartida à estadia em cada município, Renata organiza ainda cursos, oficinas e palestras para os moradores locais. No Espírito Santo, organizou uma exposição de brinquedos. Já no Recôncavo Baiano, Renata ministrou palestras sobre a cultura do brincar para todas os diretoras e coordenadores do município de Santo Amaro e também uma palestra e oficina na secretaria de ação social com 20 coordenadoras do PET (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil).
Outra parceria acontece também com seis escolas privadas de São Paulo, Bragança Paulista, Cotia e Florianópolis. A educadora, a partir do trabalho que vem desenvolvendo, se reúne, mensalmente, com os colégios para trocar experiências e identificar novos olhares e propostas quanto à cultura do brincar. “Quando a gente fala de brincadeiras, não estamos falando do novo, mas de algo que já é do homem. O novo é como a gente olha para isso, como a enxerga relação da criança com o brincar”, afirma.
É possível acompanhar a jornada do casal através do site do projeto, com atualizações quase em tempo real com fotos, textos, vídeos e áudios.
Assista ao vídeo de estreia do projeto:
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Criança em foco
O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
(Arnaldo Antunes e Paulo Tatit)
O projeto Criança Pequena em Foco quer fazer com que as opiniões e necessidades das crianças sejam levadas em conta e sirvam de subsídio para os tomadores de decisão e os planejadores de intervenções públicas na cidade.
Crianças pequenas raramente são perguntadas sobre como percebem o lugar onde moram. Mostrar esse olhar é um dos objetivos da exposição “A comunidade Santa Marta pelo olhar das crianças”, que traz fotografias feitas durante passeios realizados em março e abril de 2012.
As imagens traduzem sua percepção sobre aspectos difíceis do cotidiano, ao mesmo tempo em que demonstram como as crianças são afetivas e espontâneas na relação com o espaço.
A perspectiva infantil tem muito a contribuir para a transformação da realidade. Em muitos países, arquitetos e urbanistas vêm incluindo as crianças como participantes ativas da equipe de planejamento da cidade. As chamadas Child Friendly Cities (“Cidades Amigas das Crianças”) produzem novos conhecimentos baseados no olhar e na fala desse grupo social.
O projeto também beneficia a formação cidadã das crianças, que veem suas contribuições serem levadas em conta e sentem-se ajudando a melhorar a vida de todos.
A produção das fotografias foi precedida de uma oficina com as crianças da UNAPE . Na inauguração da exposição, as famílias dos pequenos fotógrafos ganharão DVDs com as fotos selecionadas para a mostra.
O projeto é fruto de parceria entre o CECIP e o Instituto Pereira Passos (IPP, Prefeitura do Rio), com financiamento da Fundação Bernard Van Leer.
Fonte: http://cecip.org.br
O projeto Criança Pequena em Foco quer fazer com que as opiniões e necessidades das crianças sejam levadas em conta e sirvam de subsídio para os tomadores de decisão e os planejadores de intervenções públicas na cidade.
Crianças pequenas raramente são perguntadas sobre como percebem o lugar onde moram. Mostrar esse olhar é um dos objetivos da exposição “A comunidade Santa Marta pelo olhar das crianças”, que traz fotografias feitas durante passeios realizados em março e abril de 2012.
As imagens traduzem sua percepção sobre aspectos difíceis do cotidiano, ao mesmo tempo em que demonstram como as crianças são afetivas e espontâneas na relação com o espaço.
A perspectiva infantil tem muito a contribuir para a transformação da realidade. Em muitos países, arquitetos e urbanistas vêm incluindo as crianças como participantes ativas da equipe de planejamento da cidade. As chamadas Child Friendly Cities (“Cidades Amigas das Crianças”) produzem novos conhecimentos baseados no olhar e na fala desse grupo social.
O projeto também beneficia a formação cidadã das crianças, que veem suas contribuições serem levadas em conta e sentem-se ajudando a melhorar a vida de todos.
A produção das fotografias foi precedida de uma oficina com as crianças da UNAPE . Na inauguração da exposição, as famílias dos pequenos fotógrafos ganharão DVDs com as fotos selecionadas para a mostra.
O projeto é fruto de parceria entre o CECIP e o Instituto Pereira Passos (IPP, Prefeitura do Rio), com financiamento da Fundação Bernard Van Leer.
Fonte: http://cecip.org.br
terça-feira, 4 de junho de 2013
Dia Mundial das Crianças Vítimas de Agressão
*Helyzabeth Kelen Tavares Campos
O dia 4 de junho foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1982, como Dia Internacional contra a Agressão Infantil, não como data para comemorar, mas para se refletir sobre algo terrível: a violência contra as crianças. Este é um assunto que tem despertado muito interesse em todo o mundo, que busca entender as origens desta violência contra seres tão indefesos.
Até o século XVIII, as crianças eram coisificadas, vítimas de abusos sexuais, trabalhos forçados, e submetidas a todo tipo de agressão. Somente no século XIX, as crianças passam a ser percebidas como seres humanos autônomos, quando surge os estudos da psicologia, pedagogia, pediatria e psicanálise, a fim de compreender o fenômeno das agressões, supera-las, e promover a qualidade de vida das crianças.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Trabalho Infantil (PNAD/2001), realizada pelo IBGE, o trabalho infantil é exercido por cerca de 2,2 milhões de crianças brasileiras, entre 5 e 14 anos de idade.
A maioria dessas crianças vem de famílias de baixa renda e trabalha no setor agrícola.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, nos países em desenvolvimento, mais de 250 milhões de crianças de 5 a 14 anos de idade trabalham!
A maioria delas (61%) vive na Ásia - um continente de grande densidade populacional. Em seguida vem a África, com 32%. Porém, em termos relativos, é na África que a situação preocupa, pois em cada cinco crianças, duas trabalham.
Na Ásia, a proporção cai para a metade: de cada cinco crianças de 5 a 14 anos, uma trabalha. Nas grandes cidades, muitas crianças são ambulantes, lavadoras e guardadoras de carros, engraxates etc., vivem de gorjetas, sem remuneração ou com, no máximo, um salário mínimo.
Esta situação as afasta da sala de aula e também das brincadeiras, jogos lúdicos fundamentais para um desenvolvimento psicológico saudável rumo à vida adulta. Conseqüência da pobreza, uma vez que essas crianças necessitam trabalhar para ajudar no sustento familiar, o trabalho infantil é proibido pela Constituição Brasileira de 1988, sendo o seu combate considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma das prioridades dos países em desenvolvimento.
As crianças, exploradas como soldados, mão-de-obra ou para o tráfico de seres humanos, têm sido uma preocupação constante nas intervenções da Igreja Católica a nível internacional. As autoridades mundiais são desafiadas a combater esses abusos, criando dispositivos legais que protejam efetivamente esse público.
Mais de um milhão de pessoas - sobretudo mulheres e crianças - são vítimas do tráfico humano todos os anos, igualando essa atividade ao mesmo nível do tráfico de drogas e de armas: o comércio de crianças está estimado em 12 mil milhões de euros.
No Brasil, a violência corporal, segundo o Ministério da Saúde, é a segunda principal causa de mortalidade global, sobrepujada apenas pelas mortes por doenças do aparelho circulatório. Os jovens são os mais atingidos. Além deles, a violência atinge ainda, em grau muito elevado, as crianças e as mulheres.
Para esta situação contribuem diversos fatores, entre eles, a má distribuição de renda, a baixa escolaridade, o desemprego. Na cidade de São Paulo, por exemplo, 64% das denúncias de agressão à criança têm origem em casa, de acordo com levantamento do SOS Criança (instituição estadual que recebe denúncias de agressão contra a criança e o adolescente).
Os episódios mais rotineiros são afogamento, espancamento, envenenamento, encarceramento, queimadura e abuso sexual. Não é preciso ressaltar o quanto os casos de estupro, de clausura, prejudicam o desenvolvimento afetivo e psicológico da criança, sem falar naqueles que levam à morte ou a problemas físicos irreversíveis.
A idade das vítimas varia de 0 a 17 anos e, na maioria dos casos, o agressor é parente, vizinho ou conhecido. Vale a pena ressaltar que as relações de vizinhança nas comunidades mais carentes são muito próximas, pois muitas vezes é com esses vizinhos que as mães deixam seus filhos quando vão trabalhar. São pessoas em que confiam e que, aparentemente, não trariam nenhuma ameaça para as crianças, pois estariam acima de qualquer suspeita.
Os dados relativos ao local em que ocorreram as agressões deixam ainda mais clara a afirmação feita anteriormente. Na grande maioria, a violência ocorre na casa do próprio agressor, o que confirma a grande proximidade dele com a criança, ou seja, ela estava teoricamente “segura”, e em local conhecido, quando foi abusada.
A conseqüência da agressão contra as crianças é danosa, pois o cérebro infantil ainda está se programando. Uma criança que cresce num ambiente afetivo e protegido deve poder se dedicar a tarefas mentais mais sofisticadas, como pensar abstratamente. Se ela não sente medo, pode desenvolver uma postura mais solidária. Assim como acontece com os animais, o ser humano se programa para se proteger da violência, e de ambientes assustadores.
Diante de uma agressão, uma de suas primeiras conclusões é a de se tornar fria, perdendo a propriedade típica dos bebês de se colocar no lugar dos outros. Quando um bebê chora, outro que está perto chora junto. Até os dois anos, a criança costuma chorar quando vê outra sofrendo. Depois dessa idade, ela chega perto do amiguinho e tenta consolá-lo.
Zelar pelos direitos de desenvolvimento saudável das crianças não é uma tarefa exclusiva dos pais, mas também dos parentes, da comunidade, dos profissionais de saúde, dos líderes de modo geral, dos educadores, dos governantes, enfim, da sociedade como um todo. Faz-se necessário um trabalho articulado em rede para a implementar efetivamente a proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente.
A violência destrói o sentimento de compaixão. É necessário refletirmos e buscarmos uma forma permanente e duradoura de uma humanidade onde todos se situem no lugar uns dos outros. Assim, a motivação para se lembrar o dia QUATRO DE JUNHO não precisará mais existir no calendário internacional.
*Ponto Focal em Minas Gerais
Fórum Estadual de Minas Gerais de Enfrentamento à Violência Sexual Contra a Criança e o Adolescente
campos.beth@gmail.com
Fonte:http://www.comitenacional.org.br
O dia 4 de junho foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1982, como Dia Internacional contra a Agressão Infantil, não como data para comemorar, mas para se refletir sobre algo terrível: a violência contra as crianças. Este é um assunto que tem despertado muito interesse em todo o mundo, que busca entender as origens desta violência contra seres tão indefesos.
Até o século XVIII, as crianças eram coisificadas, vítimas de abusos sexuais, trabalhos forçados, e submetidas a todo tipo de agressão. Somente no século XIX, as crianças passam a ser percebidas como seres humanos autônomos, quando surge os estudos da psicologia, pedagogia, pediatria e psicanálise, a fim de compreender o fenômeno das agressões, supera-las, e promover a qualidade de vida das crianças.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - Trabalho Infantil (PNAD/2001), realizada pelo IBGE, o trabalho infantil é exercido por cerca de 2,2 milhões de crianças brasileiras, entre 5 e 14 anos de idade.
A maioria dessas crianças vem de famílias de baixa renda e trabalha no setor agrícola.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, nos países em desenvolvimento, mais de 250 milhões de crianças de 5 a 14 anos de idade trabalham!
A maioria delas (61%) vive na Ásia - um continente de grande densidade populacional. Em seguida vem a África, com 32%. Porém, em termos relativos, é na África que a situação preocupa, pois em cada cinco crianças, duas trabalham.
Na Ásia, a proporção cai para a metade: de cada cinco crianças de 5 a 14 anos, uma trabalha. Nas grandes cidades, muitas crianças são ambulantes, lavadoras e guardadoras de carros, engraxates etc., vivem de gorjetas, sem remuneração ou com, no máximo, um salário mínimo.
Esta situação as afasta da sala de aula e também das brincadeiras, jogos lúdicos fundamentais para um desenvolvimento psicológico saudável rumo à vida adulta. Conseqüência da pobreza, uma vez que essas crianças necessitam trabalhar para ajudar no sustento familiar, o trabalho infantil é proibido pela Constituição Brasileira de 1988, sendo o seu combate considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) uma das prioridades dos países em desenvolvimento.
As crianças, exploradas como soldados, mão-de-obra ou para o tráfico de seres humanos, têm sido uma preocupação constante nas intervenções da Igreja Católica a nível internacional. As autoridades mundiais são desafiadas a combater esses abusos, criando dispositivos legais que protejam efetivamente esse público.
Mais de um milhão de pessoas - sobretudo mulheres e crianças - são vítimas do tráfico humano todos os anos, igualando essa atividade ao mesmo nível do tráfico de drogas e de armas: o comércio de crianças está estimado em 12 mil milhões de euros.
No Brasil, a violência corporal, segundo o Ministério da Saúde, é a segunda principal causa de mortalidade global, sobrepujada apenas pelas mortes por doenças do aparelho circulatório. Os jovens são os mais atingidos. Além deles, a violência atinge ainda, em grau muito elevado, as crianças e as mulheres.
Para esta situação contribuem diversos fatores, entre eles, a má distribuição de renda, a baixa escolaridade, o desemprego. Na cidade de São Paulo, por exemplo, 64% das denúncias de agressão à criança têm origem em casa, de acordo com levantamento do SOS Criança (instituição estadual que recebe denúncias de agressão contra a criança e o adolescente).
Os episódios mais rotineiros são afogamento, espancamento, envenenamento, encarceramento, queimadura e abuso sexual. Não é preciso ressaltar o quanto os casos de estupro, de clausura, prejudicam o desenvolvimento afetivo e psicológico da criança, sem falar naqueles que levam à morte ou a problemas físicos irreversíveis.
A idade das vítimas varia de 0 a 17 anos e, na maioria dos casos, o agressor é parente, vizinho ou conhecido. Vale a pena ressaltar que as relações de vizinhança nas comunidades mais carentes são muito próximas, pois muitas vezes é com esses vizinhos que as mães deixam seus filhos quando vão trabalhar. São pessoas em que confiam e que, aparentemente, não trariam nenhuma ameaça para as crianças, pois estariam acima de qualquer suspeita.
Os dados relativos ao local em que ocorreram as agressões deixam ainda mais clara a afirmação feita anteriormente. Na grande maioria, a violência ocorre na casa do próprio agressor, o que confirma a grande proximidade dele com a criança, ou seja, ela estava teoricamente “segura”, e em local conhecido, quando foi abusada.
A conseqüência da agressão contra as crianças é danosa, pois o cérebro infantil ainda está se programando. Uma criança que cresce num ambiente afetivo e protegido deve poder se dedicar a tarefas mentais mais sofisticadas, como pensar abstratamente. Se ela não sente medo, pode desenvolver uma postura mais solidária. Assim como acontece com os animais, o ser humano se programa para se proteger da violência, e de ambientes assustadores.
Diante de uma agressão, uma de suas primeiras conclusões é a de se tornar fria, perdendo a propriedade típica dos bebês de se colocar no lugar dos outros. Quando um bebê chora, outro que está perto chora junto. Até os dois anos, a criança costuma chorar quando vê outra sofrendo. Depois dessa idade, ela chega perto do amiguinho e tenta consolá-lo.
Zelar pelos direitos de desenvolvimento saudável das crianças não é uma tarefa exclusiva dos pais, mas também dos parentes, da comunidade, dos profissionais de saúde, dos líderes de modo geral, dos educadores, dos governantes, enfim, da sociedade como um todo. Faz-se necessário um trabalho articulado em rede para a implementar efetivamente a proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente.
A violência destrói o sentimento de compaixão. É necessário refletirmos e buscarmos uma forma permanente e duradoura de uma humanidade onde todos se situem no lugar uns dos outros. Assim, a motivação para se lembrar o dia QUATRO DE JUNHO não precisará mais existir no calendário internacional.
*Ponto Focal em Minas Gerais
Fórum Estadual de Minas Gerais de Enfrentamento à Violência Sexual Contra a Criança e o Adolescente
campos.beth@gmail.com
Fonte:http://www.comitenacional.org.br
Vamos ouvir as crianças?
Crianças entre 4 e 12 anos podem ajudar a formular políticas públicas. É o que demonstra o projeto Criança Pequena em Foco, que ao longo de 2012 envolveu cerca de 100 crianças das favelas Santa Marta, Babilônia e Chapéu-Mangueira em atividades para retratarem sua comunidade e identificarem suas necessidades.
O resultado desse processo e a metodologia empregada estão na publicação Vamos ouvir as crianças?
Este Caderno de Metodologias divulga e explica em detalhes as dinâmicas realizadas nas oficinas.
O objetivo do projeto é promover um espaço onde as crianças possam falar e trocar impressões sobre os lugares onde moram, os seus modos de vida, o que gostam de fazer, os espaços que frequentam, as dificuldades e os problemas que enfrentam em seu cotidiano.
As opiniões desses meninos e meninas — registradas em mapas, vídeos, desenhos, fotos — podem servir de subsídio a diferentes atores interessados em políticas públicas voltadas a essa faixa etária.
E então, vamos ouvir as crianças?
Disponível para download em:
http://www.cecip.org.br/images/vamos_ouvir_criancas-ebook.pdf
Fonte:http://www.cecip.org.br/
segunda-feira, 3 de junho de 2013
Conheça o Curioso e Sensível Dicionário feito por crianças!
Já imaginou um dicionário feito por crianças? Engraçado, não? Bem, no mínimo, curioso. Mas foi este um projeto feito por Javier Naranjo, que, perguntou para várias crianças o significado de algumas palavras. Inicialmente a ideia surgiu quando, para celebrar o dia das crianças, Naranjo perguntou o significado da palavra “criança” e uma das crianças respondeu: “Uma criança é um amigo que tem o cabelo curtinho, não toma rum e vai dormir mais cedo”, o que encantou o professor.
Pelo menos para mim, não poderia haver nenhum outro resultado. Crianças são encantadoras, tudo para elas tem um significado diferente, de um jeito diferente de se ver. Aquele jeitinho inocente e infantil. Uma maneira tão “desconexa” ao nosso mundo e verdadeira, coisas que a maioria dos adultos, e inclusive, alguns jovens, já esqueceram. Há poesia na fala de uma criança.
O sorriso verdadeiro, aquele abraço sincero, uma cara de medo e até aquela verdadezinha que se escapa sem querer, e vemos isso no dicionário que ele criou, onde se tem conceitos onde: Guerra quer dizer “Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz.”, Mãe: “Mãe entende e depois vai dormir” e Violência “é a parte ruim da paz”.
Apesar de o livro ["Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças"] ter sido lançado inicialmente em 1999, ele ganhou destaque quando foi reeditado esse ano e foi a obra mais comentada na Feira Internacional do Livro de Bogotá, agora no final de Abril. Naranjo diz que passou dez anos pegando as informações e definições enquanto trabalhava como professor na região rural da Colômbia. O mais surpreendente das definições é sinceridade/inocência com que elas são feitas.
Em entrevista à BBC, Naranjo disse coisas como:
“Isso me faz pensar que o livro continua revelando, continua falando sobre as pequenas coisas [...] Eles têm uma lógica diferente, outra maneira de entender o mundo, outra maneira de habitar a realidade e de nos revelar muitas coisas que esquecemos [...] As crianças escolheram algumas palavras e eu também: palavras que me interessavam, sobre as quais eu me perguntava. Mas não fugi de nenhum [...] Nós adultos somos condescendentes quando falamos com as crianças e deve ser o contrário. Mais que nos abaixarmos temos que ficar na altura deles. Estar à altura deles é nos inclinarmos para olhar as crianças nos olhos e falar com elas cara a cara. Escutar suas dúvidas, seus medos e seus desejos”
Confira agora algumas das palavras usadas no dicionário feito por crianças:
-Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)
-Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
-Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
-Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
-Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)
-Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
-Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
-Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
-Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
-Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
-Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
-Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
-Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
-Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
-Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
-Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
-Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
-Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
-Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
-Tranquilidade: por exemplo quando seu pai diz que vai te bater e depois diz que não vai.
-Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
-Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)
Fonte:http://literatortura.com
sábado, 1 de junho de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)
