
“Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros.”
Léon Tolstoi
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Em Sumaré, palestra discute violência contra menores

sábado, 25 de maio de 2013
Educação: Jovens e seu potencial criativo na resolução de conflitos
Conflito é diferente de violência. Esta lição, aparentemente simples, ainda é pouco compreendida em ambientes escolares, onde a cultura da hierarquia e da punição produzem relações tensas e graves problemas de intolerância e incompreensão entre os alunos, e também com seus professores e a direção. A Justiça Restaurativa, aplicada à Educação, pode ser uma resposta eficaz a tamanho desafio.
O projeto Jovens e seu potencial criativo na resolução de conflitos é uma realização do CECIP – Centro de Criação de Imagem Popular – com patrocínio da Petrobras e apoio e parceria da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME).
Visa contribuir para a ampliação da Cultura de Paz, buscando respostas efetivas a situações de conflito e violência no âmbito das escolas e da comunidade de entorno. Lança mão do empoderamento do cidadão, da responsabilização, do respeito, da implantação do diálogo como resolução pacífica de conflitos e preservação estrita do cumprimento aos direitos fundamentais de todos os sujeitos envolvidos.
A metodologia deste projeto foi experimentada, com êxito, em cerca de 60 escolas municipais no Estado de São Paulo. Construída ao longo de cinco anos, está sistematizada diversos materiais produzidos pelo CECIP (veja abaixo). O que se propõe é outra forma de resolução de conflitos, na qual a cultura da punição é substituída pela busca das causas que levaram ao ato violento, suas consequências e a responsabilização dos danos por parte dos que o cometeram. Esse processo será apoiado por representantes da comunidade e da rede de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente, vivenciando um procedimento de Justiça Restaurativa.
O projeto Jovens e seu potencial criativo na resolução de conflitos trabalha com a comunidade escolar (alunos, educadores, gestores, funcionários, familiares) de 50 escolas da rede municipal do Rio de Janeiro, por meio da formação de adolescentes (entre 15 e 17 anos) e educadores que serão os difusores da Cultura de Paz.
Em relativamente pouco tempo, os resultados começaram a aparecer. “O que nós decidimos fazer com o conflito é o que pode se tornar violência, ou não”, comenta um jovem. “Conhecendo melhor meus alunos, posso conviver com nossos conflitos”, aprendeu um professor. “Escutar muito foi a única maneira para ensinar a escutar. Ainda bem que os jovens me ensinaram isso”, disse uma facilitadora do CECIP.
Os jovens protagonistas, com o apoio da comunidade escolar, irão implementar processos circulares (prática de resolução de conflitos) em seus espaços de atuação, visando contribuir para a transformação de escolas e seu entorno em um lugar de convivência pacífica, segura, de respeito à diversidade e sem preconceito.
Atividades:
Ano I
- Formação de cinco adolescentes (8º e 9º anos) e um educador por escola, totalizando 250 adolescentes e 50 educadores.
- Módulos de Tecnologias de Informação e Comunicação, com oficinas específicas.
- Acompanhamento das ações desenvolvidas pelos jovens, feito em conjunto por uma pessoa indicada pela escola e por um facilitador.
Ano II
- Cada jovem capacitado no ano I mobilizará mais dois jovens para participar da formação. Cada educador mobilizará outros dois colegas, consolidando assim uma metodologia de trabalho.
- Os registros das atividades serão sistematizados em uma publicação para a disseminação da metodologia e divulgação dos resultados.
Justiça Restaurativa & Educação
A Justiça Restaurativa (JR) é um modelo baseado na resolução de conflitos a partir de uma lógica distinta da punitiva e retributiva.
Os valores que regem a JR são o empoderamento, a participação, a autonomia, o respeito, a busca de sentido e de pertencimento na responsabilização pelos danos causados, mas também na satisfação das necessidades que emergem da situação de conflito.
Esses valores têm demonstrado a possibilidade de se alcançar o restabelecimento do senso de justiça, dignidade e segurança em termos diferentes daqueles que levaram à situação de conflito. A Justiça Restaurativa é a arte do encontro e do reencontro. Espera-se chegar, por meio do conhecimento do porquê dos atos cometidos, e das consequências desses atos, à reparação dos danos causados – tanto emocionais como materiais.
As experiências já realizadas mostram que é possível reverter o quadro de violência causado pela deterioração de valores e pelo individualismo exacerbado. Práticas bem-sucedidas em países tão diversos como Nova Zelândia, Canadá, África do Sul e Reino Unido, entre outros, comprovam a viabilidade do trabalho de fortalecimento dos direitos de cidadania.
As práticas restaurativas contribuem para que a Educação e a Justiça cumpram sua função pedagógica, social e libertária, transmitindo valores, possibilitando o empoderamento consciente de todos envolvidos numa situação de conflito e a restauração do valor justiça.
Em São José dos Campos, alunos e professores recebem capacitação para resolver conflitos e melhorar o ambiente escolar.
Conheça o mais recente boletim produzido pelo projeto Círculos Restaurativos no município.
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O tempo corre de maneira intensa e muita coisa já aconteceu. Em 2012, iniciamos a terceira turma de capacitação do Projeto Círculos Restaurativos. A proposta se renovou, enfatizando a convivência, o trabalho preventivo das escolas, os investimentos em círculos de paz e nas relações humanas acima de tudo.
As técnicas continuam sendo aprendidas, mas misturam duas grandes possibilidades: investimentos preventivos e investimentos curativos, voltados tanto para a precaução como para resolução de conflitos respectivamente.
(Mariusa Romano, coordenadora do projeto Círculos Restaurativos em São José dos Campos)
Hoje, ainda não atingimos a perfeição, mas os alunos, em sua maioria, são nossos colaboradores, pois se veem algo “errado” na escola, como sujeira ou danos materiais, nos avisam e demonstram indignação, ou seja, defendem a escola e são parceiros da equipe de liderança.
(Equipe de Liderança da Escola Municipal Norma di Conti)
Fonte: http://www.cecip.org.br

Sustentabilidade na Escola

Projeto coletivo de escola para superar violência
As coisas não andam bem para os professores. Só neste ano as manchetes relativas a esta categoria já ressaltaram a gigantesca proporção de adoecimentos entre os educadores, a falta de interessados na carreira, greves por melhores condições de trabalho e, nesta última semana, a violência sofrida por este profissional. O tema da violência voltou agora devido a pesquisa “Violência nas Escolas: o Olhar dos Professores” lançada na última semana pela Apeoesp. O estudo entrevistou 1400 professores das escolas estaduais em 167 cidades de São Paulo. Os resultados, embora contundentes, não chegam a surpreender quem conhece o cotidiano escolar.
A maior parte dos professores (62%) leciona em escolas de periferia, que são consideradas mais violentas. Do total, 57% dos professores consideram que sua escola é violenta, mas entre os que lecionam na periferia, esta proporção sobre para 63%. O policiamento está menos presente no entorno das escolas periféricas e a escola da periferia tem mais ambientes degradados ou pichados. Embora não seja maioria, é bastante alta a proporção dos professores que lecionam em mais de um turno (41%) e, no geral, a média de alunos por sala de aula é de 38, bastante acima dos parâmetros recomendados.
Os professores associam violência, principalmente, com agressão verbal (62%), agressão física (43%) e falta de respeito (33%) e já vivenciaram situações deste tipo no seu cotidiano de trabalho: 72% presenciaram brigas de estudantes, 62% já foram xingados por estudantes, 35% foram ameaçados e a mesma proporção de professores teve algum bem pessoal danificado por estudantes. Os professores também confirmam que na maior parte das escolas aconteceram casos de vandalismo, furto e discriminação.
Não chega a ser maioria, mas boa parte dos professores já viram os estudantes sob efeitos de drogas (42%), bebida alcoólica (29%) e portando armas (18%). E quase um terço dos professores do estado de São Paulo já presenciou tráfico de drogas na escola.
Na opinião da quase totalidade dos professores (95%), os principais autores da violência nas escolas são os estudantes e também seriam estes as maiores vítimas para 83% dos professores. Já 44% dos professores veem a si próprios como as maiores vítimas.
A pesquisa mostra que a violência cresce consideravelmente à medida que crescem os estudantes, sendo que 24% dos professores homens e 29% das professoras do ensino fundamental 1 (com estudantes de até 10 anos de idade) sofreram algum tipo de violência, enquanto 65% dos professores e 45% das professoras do ensino médio relataram o mesmo tipo de ocorrência.
Apesar da percepção de violência ser generalizada nos ambientes escolares, quando perguntados sobre as causas da mesma, os professores a remetem para fora: 74% mencionam genericamente falta de educação, respeito e valores , 49% referem-se especificamente à falta de educação em casa, 47% mencionam a desestruturação familiar e na sequência vem drogas e pobreza. É somente a partir do sexto colocado que as questões internas à escola começam a aparecer e, ainda assim, remetendo às atitudes dos estudantes: desinteresse pelos estudos e conflitos entre os alunos.
Sendo estas as causas atribuídas à violência, as soluções apontadas pelos professores indicam uma perspectiva fragmentada e frágil: debates sobre violência, suporte pedagógico, investimento em cultura e lazer, policiamento ao redor da escola. Na visão de 67% dos professores, são agentes externos às escolas que podem resolver os seus problemas: em primeiro lugar os pais, seguidos do governo, da sociedade e da polícia. Dentre os 25% que mencionaram agentes da escola como os responsáveis pela solução do problema, a grande maioria citou a equipe gestora.
Em síntese, os professores da rede estadual de São Paulo consideram o ambiente em que vivem violento, já presenciaram e sofreram violência, responsabilizam os estudantes pela situação e atribuem a possibilidade de superação aos pais, à direção e ao governo. Ou seja, os professores se veem impotentes diante da situação. Não é à toa que adoecem.
O problema é que a forma escola, com seus corredores, sinais sonoros, carteiras, lousas, matérias, provas, notas, séries e livros didáticos, disseminou-se tão extensamente e há tantas décadas por nossas sociedades ocidentais, que não conseguimos mais questionar o seu modelo. No nosso imaginário coletivo sobre as escolas, estas seriam lugares de ensinar e aprender, onde pessoas vocacionadas para o trabalho com as novas gerações se dedicariam a transmitir-lhes o conhecimento acumulado da humanidade, algo que seria recebido com alegria e gratidão por crianças e jovens curiosos e interessados.
Se não é isso o que está acontecendo, então deve ter alguma coisa errada do lado de fora desta instituição tão perfeita atrapalhando – famílias desestruturadas, bairros violentos, epidemias de drogas, governos desonestos.
Que outra instituição que fosse considerada violenta por quase 60% de seus profissionais não teria sua forma questionada? Só há uma que continua existindo e sendo reforçada no imaginário coletivo apesar de seu contínuo fracasso – a prisão. E assim como acontece com o sistema penal, nada irá mudar enquanto o modelo institucional não for questionado, enquanto não enxergarmos a violência que é obrigar os jovens a ficarem sentados, enfileirados por várias horas por dia, ao longo de anos, ouvindo falar de assuntos sobre os quais não perguntaram e sendo continuamente avaliados e classificados a partir do que respondem em provas sobre conhecimentos fragmentados, descontextualizados e sem sentido.
A superação da situação de violência virá quando a escola conseguir se tornar um projeto coletivo, um projeto comum de estudantes, educadores e famílias interessados em produzir conhecimento, em se transformar mutuamente ao mesmo tempo em que transformam o lugar em que estão. Quando isso acontecer, os professores deixarão de estar isolados em suas salas de aula e se verão membros de uma equipe, com um projeto coletivo, em uma comunidade.
Nada mais contrário à doença e a violência do que os sentidos de projeto, coletividade, comunidade. Mas, para isso acontecer, toda a estrutura da rede de ensino – concursos, carreiras, gestão de recursos, avaliações – terá que se voltar para isso, para a constituição de equipes escolares vinculadas com as comunidades em que atuam, em instituições que têm autonomia para gerir seus projetos político pedagógicos a partir das necessidades e dos desejos daqueles que a compõem, em busca de um sentido comum.
POR HELENA SINGER
É diretora pedagógica da Associação Cidade Escola Aprendiz, membro fundador do Núcleo de Psicopatologia, Políticas Públicas de Saúde Mental e Ações Comunicativas em Saúde Pública da USP (NUPSI). É autora de livros e artigos sobre educação e direitos humanos publicados no Brasil e no exterior, sendo que "Discursos Desconcertados" (Humanistas/FAPESP, 2003) lhe conferiu o prêmio de Jovem Cientista em Língua Portuguesa pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Fonte: http://porvir.org

“É a partir do brincar que a criança aprende a agir”, afirma educadora
Por Flávio Aquistapace
Mobilização promove atividades em todo o país em torno do direito ao brincar.
Para ressaltar a importância do brincar na sociedade, acontece esta semana, por todo país, uma série de atividades gratuitas voltadas à mobilização por este direito, assegurado no artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Iniciada no dia 19 de maio e com atividades previstas até o mês de junho, a Semana Mundial do Brincar reúne pais, educadores, representantes do poder público e da sociedade civil em torno da promoção e qualificação do tempo destinado ao brincar na infância.
“É essencial que a criança tenha espaço para se descobrir, em contato consigo e explorando o entorno. Neste contexto, nosso desafio é conscientizar os adultos para que cuidem do acesso a este espaço”, explica a gestora institucional da Aliança pela Infância no Brasil, rede organizadora da campanha, Giovana Barbosa de Souza.
Com oficinas temáticas e lúdicas, piqueniques coletivos, brincadeiras e debates com educadores, a programação - autogerida e aberta à comunidade – ocupa diversos locais, como parques e praças públicas, e também as unidades do Sesc situadas no estado de São Paulo. Em seu quarto ano, a Campanha promove atividades “em mais de 53 municípios, além da programação diária no Parque do Ibirapuera, inclusive com brincadeiras para diferentes idades, com propostas intergeracionais”, explica Giovana.
Tempo livre
A participação dos adultos nas brincadeiras com as crianças, mediando as atividades lúdicas, é um dos principais focos da campanha. Para a educadora especialista em docência universitária em formação brincante, Ruth Elisabeth de Martin, as interações lúdicas entre as crianças ou delas com os adultos “promovem o vínculo de gerações através da transmissão de valores e cultura, proporcionando alegria e prazer”.
Sobre este aspecto, Giovana ressalta a importância de “não preencher a vida das crianças com excesso de atividades”, garantindo o tempo livre necessário à exploração do mundo facultada pelo brincar.
A educadora Ruth também observa que com o crescimento dos centros urbanos e a agenda complexa que muitas crianças cumprem, nem sempre a sociedade se preocupa em garantir o direito ao brincar. “Cabem aos governos, educadores, pais e adultos contemplar os espaços lúdicos”.
Ela avalia que “é a partir do brincar que a criança aprende a agir”, salientando que ao assumir personagens e incorporar diferentes papeis, a criança “aprende a tomar decisões, a compreender melhor os valores de sua cultura, a entender a cultura de seus parceiros, fazer combinados, lidar com situações de ganhar e perder, enfim, a se fazer respeitar e a respeitar o próximo”.
Brincar na escola
Um dos destaques quando o tema brincar vem à tona é o apelo à imaginação proporcionado pelos brinquedos. “O brinquedo, visto como objeto, como suporte da brincadeira, permite à criança criar, imaginar e representar a realidade e as experiências por ela adquiridas. Proporciona a criação, por parte da criança, e também é fruto da sua imaginação”, acrescenta Ruth.
Atividade realizada também na escola, Ruth acredita que os professores têm a possibilidade de bordar os valores e a cultura de uma sociedade por meio do brincar. “O educador é aquele que cria as oportunidades, oferece materiais e participa das brincadeiras, mediando a construção do conhecimento”. Ela defende ainda que o uso materiais lúdicos em sala de aula pode contribuir para desenvolver a aprendizagem de maneira mais criativa, prazerosa e sociável.
Fonte: http://portal.aprendiz.uol.com.br

Professor precisa abrir a cabeça, diz José Pacheco
Depois de já ter revolucionado os moldes tradicionais de ensino na Escola da Ponte, o professor português José Pacheco, hoje um estudioso da realidade brasileira, aposta na mudança de mentalidade dos professores e no apoio dos governos para haver inovação em educação. Segundo o educador, é preciso que as iniciativas isoladas que ele tem visto pelo país sejam registradas, avaliadas e incentivadas para não serem perdidas. Mais que isso: os professores devem se dispor a mudar para adotar uma postura mais descentralizada, aberta à reflexão, ao diálogo e à diversidade.
Pacheco se tornou mundialmente conhecido por revolucionar uma escola pública portuguesa, a Ponte, utilizando uma metodologia ousada: ele acabou com turmas, salas de aula, disciplinas e passou a ensinar conforme a motivação dos alunos. Lá, são os próprios estudantes que se organizam em grupos heterogêneos para estudar os assuntos que lhes interessam, são autônomos para pesquisar, apresentar os resultados para os colegas e, quando se sentem prontos, avisam que podem ser avaliados. O educador já está aposentado, mas sua proposta pedagógica continua sendo aplicada na Ponte e é replicada em vários países, inclusive no Brasil.
Como o senhor definiria inovação em educação?
Os arquivos das universidades estão repletos de teses sobre inovação. Sendo um termo de vasto espectro semântico, eu poderia escolher uma definição qualquer e escrever aqui, mas não farei. Prefiro dizer que, no campo teórico da educação, já tudo foi inventado e que as teses são meras reproduções de teorias… Na prática, aquilo que tem sido considerado inovação não tem sido avaliado e, quase sempre, tem consistido apenas em pequenas mudanças num modelo educacional hegemônico e obsoleto. Esse modelo, dito “tradicional”, aquele em que é suposto ser possível transmitir conhecimento, faliu muito tempo atrás.
Nós, brasileiros, somos um povo aberto à inovação?
Sem dúvida que a mistura genética deu origem a um povo criativo. Acompanho algumas práticas embrionárias que provam a capacidade inventiva dos professores brasileiros. São iniciativas que partem de desejos e necessidades sentidas pelos atores locais. Essas práticas (talvez inovadoras) requerem descentralização, questionamento do modelo de relação hierárquica, negociação e contrato, respeito pela diversidade. Tais projetos poderiam constituir-se em oportunidade de mudança, mas o poder criativo não encontra acolhimento junto àqueles a quem compete gerir o sistema. Urge inovar, mas como pode acontecer inovação, se quem decide não tem consciência dessa necessidade?
O que de mais inovador o senhor tem visto pelas suas viagens pelo Brasil?
Tenho visto o trabalho discreto de muitos professores. Um trabalho que talvez mereça ser considerado inovador, mas que, por não ser apoiado pelo poder público, nem avaliado, se perde, quando os professores desistem de querer mudar as escolas, quando desistem de fazer das crianças seres mais sábios e pessoas mais felizes.
Existe mais abertura hoje para projetos que desconstroem a escola tradicional, como a Escola da Ponte ou a Educação Ativa?
Existe abertura por parte de educadores atentos à tragédia educacional brasileira. Há dados que mostram que há alunos que chegam ao ensino médio analfabetos ou incapazes de fazer uma interpretação de texto.
As escolas se converteram ao mundo digital, mas mantêm e reforçam práticas de ensino obsoletas, o improviso e o imediatismo das “novas” práticas faz prosperar o insucesso. Urge instituir novas e autônomas formas de organização das escolas, mas também recuperar práticas antigas, sem a tentação de clonar a escola da Ponte ou adotar modismos.
Há muitos educadores com um estatuto social degradado, mal remunerados, mas que não desistem de desconstruir o modelo tradicional, de tentar melhorar, melhorando a escola. Eles sabem que o Brasil progredirá através da educação. Mas não aquela educação de que é feita a retórica de político…
Onde estão as principais barreiras para inovar? Nas escolas, entre professores, governantes, pais ou alunos?
A mudança em educação é um processo complexo e moroso: para grandes metas, pequenos passos. Urge buscar uma escola do conhecimento e abandonar um ensino meramente transmissivo, fomentar a organização do acesso à informação e a aprendizagem do uso do conhecimento.
A mudança das instituições passa pela transformação das pessoas que as mantêm. Estabeleça-se uma práxis pautada numa ética da responsabilidade e numa relação dialógica. Que se recusem ideias feitas e se escape à síndrome do pensamento único.
A formação dos professores é deficiente. As escolas são geridas numa racionalidade administrativa e burocrática. Mas o principal obstáculo é o professor, quando assume que o ato de educar é um ato solitário, quando recusa reelaborar a sua cultura pessoal e profissional, no exercício da convivencialidade.
Fonte: http://porvir.org
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Escola em Heliópolis
Quem ouve o prefeito, os secretários e os vereadores falarem não acredita. Explicam em pormenores como tudo funciona, resolvem conflitos, debatem assuntos de interesse de seus pares, escutam suas reivindicações, discutem como encaminhá-las. Em tempos de eleição, daria até para pensar que o grupo é formado por políticos vencedores do primeiro turno já montando suas equipes. Mas não. São alunos com idades entre 10 e 15 anos, eleitos para serem os primeiros gestores da república de crianças recém-constituída na Emef Presidente Campos Salles, escola pública localizada em Heliópolis, segunda maior favela de São Paulo, que se inspirou na Escola da Ponte para adotar um modelo de educação democrática.
Na república da Campos Salles, as crianças eleitas têm poder de decisão, inclusive em assuntos que os alunos nem sempre são benvindos, como questões administrativas e regras gerais de funcionamento da escola. E o que eles decidem, se for viável, tem poder de lei. A escola tem um prefeito, Wilas de Arruda,15, e quatro secretários responsáveis pelas áreas de Cultura e Esporte, Comunicação, Convivência e Diversidade, Saúde e Meio Ambiente. Além de cerca de 30 vereadores e suplentes. Todos responsáveis por se envolver na gestão de uma escola com 1.100 alunos de ensino fundamental.
A primeira ação dos vereadores foi a elaboração de três espaços para, segundo os próprios pequenos gestores, “dar mais voz aos alunos”, a árvore de sonhos, o muro das lamentações, a caixa de sugestões. Por enquanto, só a árvore de sonhos ficou pronta – os vereadores e o prefeito colheram galhos pelo terreno da escola e terminaram a confecção ontem mesmo. Nela, os alunos devem pendurar seus desejos, algo que gostariam de alcançar – e aí vale qualquer coisa, desde uma aula diferente que têm vontade de ter até um bem coletivo para a escola. “Se alguém quiser sugerir a cobertura da quadra, por exemplo, é só escrever na árvore que nós vamos discutir para ver se dá para fazer”, explica Jackson da Silva, 11, secretário da Cultura e do Esporte.
A república das crianças não é um contexto isolado de participação dos alunos na Campos Salles. Desde 2005, a escola vem adotando processos de ensino que buscam empoderar as crianças e compartilhar com elas a responsabilidade de gerir a escola. Quem capitaneia o modelo, chamado pelos professores apenas de “projeto”, é o diretor Braz Nogueira, à frente da escola há 17 anos. Para entender como foi a implantação da educação democrática, no entanto, é preciso voltar no tempo. “Hoje a escola está muito diferente. Duas horas depois de eu chegar, em 1995, eu coloquei as mãos na cabeça e perguntei: ‘o que eu estou fazendo aqui?’”, conta o diretor.
Escola da comunidade
A época era outra, diz Braz. Heliópolis convivia com a violência, as chacinas eram recorrentes e os traficantes haviam imposto um toque de recolher. Foi uma tragédia, o assassinato de uma aluna do turno da noite nas imediações da escola na saída da aula que fez tudo começar a mudar, lembra o diretor. “Aquela morte me revoltou. Eu percebi que nós estávamos sendo omissos.” Ainda no velório, ele começou a conversar com professores e lideranças locais para convencê-los de que era preciso fazer alguma coisa. “A gente não podia mais aceitar a banalização da violência”, diz o diretor, que convocou uma caminhada pela paz nas ruas favela. O movimento começou pequeno, mas, ano após ano, foi ganhando força e trazendo a comunidade para dentro da escola.
Nos anos que se seguiram, do fim da década de 90 ao início dos anos 2000, a Campos Salles passou a consolidar sua boa relação com o entorno e foi se tornando um modelo. Em 2002, conta Braz, outro episódio colocou essa relação à prova. Cerca de 20 computadores novos foram roubados de dentro da escola. “Saí pelas ruas e pelos bares de Heliópolis dizendo: não foi a escola que foi roubada. Foram seus filhos!”, lembra. Dias depois, ele foi abordado por alguns rapazes que disseram que devolveriam os computadores na rua de trás da escola. Dito e feito. Recuperou os computadores.
O projeto
A boa relação com a comunidade, porém, ainda não se refletia na relação entre alunos e professores. “O estudante ainda não era visto como um ser integral, capaz”, lamentava Braz, que fazia uma pós-graduação e resolveu, como projeto final, adaptar e implantar as ideias da Escola da Ponte na Campos Salles. “Lá eles tinham 180 alunos e era turno integral. Aqui tínhamos mais de mil e quatro turnos. E se o caos se instalasse?”, temia Braz, que foi buscar ajuda na Emef Desembargador Amorim Lima, escola da mesma rede e que já adotava a metodologia. Nos anos de 2006 e 2007, a escola começou a mudar a sua abordagem pedagógica.
Em vez da sala de aula clássica, as turmas passaram a ser divididas em grupos. No lugar da aula expositiva, as atividades seguiam um roteiro de estudo, em que os próprios alunos deveriam buscar informações e construir seu aprendizado. O Ideb da escola aumentou, tudo ia bem, mas elas ainda estavam lá: as paredes. “No final de 2007, chamei m grupo de professores e perguntei se eles apoiavam que eu tirasse as paredes das salas. Eles disseram que sim. Quando voltaram, no outro ano letivo, eu tinha derrubado tudo.”
Braz transformou as salas de aula das mesmas séries em quatro grandes salões, cada um com mais de cem alunos, que sentam em grupos de até quatro pessoas. Os roteiros de todas as disciplinas são entregues, em média, uma vez por mês. O professor da disciplina faz uma orientação específica e deixa os roteiros com os alunos, que vão cumprindo as atividades na ordem que acham melhor. Quando têm dúvida, procuram os colegas do grupo ou os professores – ficam, pelo menos três por salão – para tirar as dúvidas.
Mas e se não tiver um professor da disciplina que os alunos estão com dúvida? “É exatamente isso que faz o projeto ser revolucionário”, diz o diretor. “Todos os professores devem saber o que os colegas estão trabalhando em seus roteiros. Se não souberem, têm que buscar a resposta ou com os colegas ou com alunos do salão que tenham solucionado o problema.” Com mais autonomia, os estudantes são estimulados a descobrirem o que gostam mais de fazer, a entenderem seus sonhos. “Antes, a gente perguntava para os alunos o que eles queriam ser e eles não sabiam. Hoje, todo mundo tem um sonho e sabe qual ele é”, afirma o diretor.
O formato, claro, causou estranheza no início e até hoje tem quem goste e se adapte e tem quem não goste, sejam alunos e professores. “Aqui está nascendo um novo professor e um novo aluno. Mas todo parto é doloroso”, diz Braz, que já poderia estar aposentado há quatro anos, mas segue no comando da escola.
Fonte: http://porvir.org

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sexta-feira, 24 de maio de 2013
quinta-feira, 23 de maio de 2013
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terça-feira, 21 de maio de 2013
Tião Rocha acredita na educação que acontece em comunidade

sábado, 18 de maio de 2013
Escolas são pessoas, que se dão e se comovem’

Documentário retrata autonomia na educação
ESCOLA // ESPAÇO PÚBLICO // ON-LINE // BRASIL
POR VAGNER DE ALENCAR
Experiências educativas nacionais estão buscando em elementos como autonomia, liberdade, afetividade, felicidade, artes, diversão e bons educadores o segredo para mudar o modelo tradicional de ensino no país. Com a proposta de ajudar professores, especialmente de escolas mais conservadoras, a pensarem em alternativas e novas maneiras de ensinar, três jovens decidiram pesquisar e registrar iniciativas educacionais que seguem essas ideias. O mapeamento deu origem ao documentário independente Quando Sinto Que Já Sei, que será lançado no segundo semestre deste ano. O filme conta com cerca de 50 entrevistas com crianças e jovens que estudam em escolas com modelos inovadores, e também com conversas entre pais, educadores, professores, diretores e especialistas de sete projetos educativos que estão apontando novos caminhos para a educação brasileira.
O documentário foi idealizado pelo estudante de engenharia Antonio Sagrado Lovato, 23, que, em 2012, ao lado de mais dois amigos, percorreu o Brasil captando diferentes experiências, como escolas democráticas, de educação integral, entre outras. Muitas delas, inclusive, já passaram aqui pelo Porvir, como o Projeto Âncora, em Cotia, as escolas Amorim Lima e Politeia, em São Paulo, e o Projeto Gente, no Rio de Janeiro. Além de especialistas entrevistados, como o educador e folclorista Tião Rocha, Rafael Parente, subsecretário de novas tecnologias educacionais da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, e Helena Singer, diretora da Associação Cidade Escola Aprendiz, instituição pioneira no desenvolvimento da educação integral.
Nossa intenção é promover e aquecer o debate em torno do atual momento da educação no Brasil, buscar e apresentar modelos, que se baseiam na participação e autonomia, para mostrar que existem experiências acontecendo, que podem ser replicadas”, afirma Lovato. Agora, com todas as entrevistas realizadas, seu próximo passo é arrecadar, até o dia 20 de maio, R$ 44 mil necessários para a pós-produção do filme. Para conseguir o recurso, o jovem iniciou uma campanha na plataforma de financiamento coletivo no Catarse. O valor inclui gastos com locação e aquisição de equipamentos, viagens da equipe para gravações, distribuição independente e a finalização do filme.
Como parte do pré-lançamento do documentário, Lovato também pretende realizar uma série de encontros, por meio de saraus e seções de filmes em escolas públicas, onde exibirá o Imagine a School… Summerhill (Imagine uma escola… em tradução livre). O documentário inglês, que leva o nome da escola criada nos Inglaterra há mais de 90 anos, retrata a instituição mais antiga do mundo a adotar o modelo de educação democrática. A proposta dos encontros é falar sobre experiências como essas ao redor do mundo e, especialmente, no Brasil.
Nos últimos cinco anos, Lovato vem se dedicando à pesquisa de modelos não-convencionais pelo mundo. Em 2011, depois que ganhar de uma bolsa de intercâmbio na Europa por conta de um trabalho ligado à gestão cultural, um de seus primeiros destinos foi a Escola da Ponte, em Portugal. Lá, viu de perto o trabalho da instituição que é referência mundial na educação democrática. “Fiquei encantando com tudo aquilo”, diz.
No entanto, antes disso, foi buscar inspirações também em terras brasileiras. Viajou para a cidade de Sacramento, em Minas Gerais, onde afirma ter sido instalada a primeira experiência educacional alternativa do país. A escola, datada de 1907, foi criada pelo educador e político Eurípedes Barsanulfo (1880-1918), figura desconhecida pela maioria das pessoas. “Pouca gente o conheceu, na verdade. O colégio foi muito inovador para a época. Não havia seriação e tinha até aulas de astronomia”, diz Lovato. “O [José] Pacheco disse que se tivesse sido europeu seria uma das principais referências no mundo”, afirma.
Veja trailer do documentário:
Fonte: http://porvir.org

18 DE MAIO - ENFRENTANDO A VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: FAÇA BONITO!

quinta-feira, 16 de maio de 2013
PROJETO ÂNCORA
domingo, 12 de maio de 2013
EDUCAÇÃO INCLUSIVA: UMA QUESTÃO URGENTE

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